Caso Henry: Monique diz em depoimento que 'suspeita ter sido dopada'

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, afirmou que suspeita ter sido dopada no dia do assassinato do menino, em março de 2021

Jun 2, 2026 - 19:05
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Caso Henry: Monique diz em depoimento que 'suspeita ter sido dopada'
Acusada de se omitir, ela admitiu que Jairinho pode ter matado o filho - Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, afirmou que suspeita ter sido dopada no dia do assassinato do menino, em março de 2021. Ré no processo em que o crime é julgado, ela prestou depoimento no nono dia do júri, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Monique e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, são acusados pela morte da criança. De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Jairinho torturava o enteado, e Monique foi omissa em proteger o filho.

No depoimento, a ré afirmou que não acreditava que o padrasto da criança seria capaz de realizar agressões contra o menino. Para ela, atualmente, há elementos para acreditar que Jairinho pode ter sido o responsável da morte.

Monique descreveu que a relação de Jairinho com ela e o menino era boa. No entanto, ela admitiu que o então namorado era uma pessoa ciumenta e que, cerca de um mês após o início de relacionamento, sofreu uma tentativa de enforcamento por parte de Jairinho, em uma “crise de ciúme mais grave”.

O relacionamento começou em outubro e, em janeiro, ela foi morar com Jairinho. A ré contou que, no fim de janeiro, Henry se queixou com o pai, Leniel Borel, de ter recebido “um abraço forte do tio”.

Episódio levou Leniel a conversar com o padrasto e pedir para ele não repetir o gesto. Monique contou que, a pedido de Leniel, passou a evitar que a criança ficasse sozinha com Jairo.

Monique Medeiros mencionou que, um dia, mesmo com ela em casa, Henry a procurou e comentou que Jairinho tinha dado uma banda (rasteira) e uma moca (soco na cabeça) nele.

Ao cobrar explicações de Jairo, ela disse que o então vereador negou e que era apenas uma brincadeira e segurou o menino para que ele não caísse. Segundo Monique, o padrasto disse ainda que a mãe mimava o menino e que ele “viraria veadinho”.

Segundo Monique, Jairinho prometeu que esse comportamento não se repetiria. De acordo com a mãe, esse episódio marcou um distanciamento da criança com Jairo.

Por vários momentos, Monique chorou no depoimento. Ela rebateu a informação da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, de que tinha sido avisada de uma agressão de Jairinho a Henry no dia 2 de fevereiro.

Monique contou sua versão sobre a troca de mensagens de 12 de fevereiro com a babá a respeito da suspeita de novas agressões de Jairinho. Ela relatou ter sido surpreendida ao saber que o namorado chegou em casa antes do horário e afirmou ter evitado que ele ficasse sozinho com Henry.

Em uma das mensagens, a babá contou que o garoto tinha saído do quarto e que “estava bem”. Em mensagens seguintes, recebeu a informação de que o menino reclamava de dor no joelho e na cabeça. Monique chegou a receber um vídeo do menino, mas afirmou que não percebeu que ele mancava.

Monique disse que, no hospital, começou “um pesadelo”, se referindo a duas horas e meia de manobras de ressuscitação. Ela descreveu que o menino chegou no hospital com o corpo “branquinho”, sem marcas e lesão.

Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho é responsável pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros respondeu “acho que pode ter sido”.

Fonte: Douradosnews

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