O Dilema das Mães Atípicas: A Sobrecarga Invisível da Maternidade
Mães de crianças, adolescentes e adultos com deficiências enfrentam uma jornada solitária e exaustiva, com mais de 70% delas apresentando sintomas de estresse emocional severo e 48% sofrendo de depressão clínica.
O Dia das Mães é um momento de celebração e homenagem, mas para um grupo expressivo de mulheres, a data é um lembrete de uma jornada solitária e exaustiva: a maternidade atípica. Mães de crianças, adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), síndromes ou outras deficiências vivem uma realidade onde o cansaço é crônico e o autocuidado um luxo inatingível.
A sociedade tem o hábito de romantizar essa vivência, chamando essas mulheres de "super-heroínas" ou "guerreiras". No entanto, esse título frequentemente serve para justificar a falta de apoio social, familiar e governamental. Os dados demonstram a urgência de olhar para quem cuida.
A maternidade atípica no Brasil é, majoritariamente, solitária. De acordo com cruzamentos de dados do IBGE e de instituições de apoio, 86% das cuidadoras primárias de crianças com TEA são as próprias mães. Essa sobrecarga tem uma raiz profunda no abandono paterno, com cerca de 78% dos pais abandonando a família antes de a criança com deficiência completar cinco anos de idade.
A rotina de hipervigilância somada à privação de sono e ao luto das expectativas destrói a saúde dessas mulheres. A necessidade de reorganizar a vida inteira em função do filho faz com que elas percam sua autonomia. O alerta dos especialistas é claro: mães atípicas estão adoecendo silenciosamente.
É fundamental oferecer espaços seguros onde essas mães possam falar sobre suas frustrações, lutos e sobre o medo esmagador do futuro, sem julgamentos morais. Além disso, é necessário incluir a família na abordagem, oferecendo apoio logístico e emocional.
Fonte: Douradosnews
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