Corumbá lidera rota de entrada de imigrantes para trabalho escravo no Brasil

Duas cidades de Mato Grosso do Sul estão entre as principais portas de entrada de trabalhadores estrangeiros submetidos ao trabalho escravo no Brasil.

Jun 1, 2026 - 09:28
 0  0
Corumbá lidera rota de entrada de imigrantes para trabalho escravo no Brasil
Trabalhadores resgatados em junho de 2025 de fazenda em Itaquiraí, onde faziam a colheita de mandioca (Foto: Divulgação/MPT)

Corumbá e Ponta Porã, cidades de Mato Grosso do Sul, estão entre as principais portas de entrada de trabalhadores estrangeiros submetidos ao trabalho escravo no Brasil. Corumbá lidera o ranking nacional, com 29,1% dos registros entre 2003 e 2022, enquanto Ponta Porã aparece em quinto lugar, com 8,25%, segundo dados do SmartLab Trabalho Escravo, plataforma do MPT e da OIT Brasil.

Os dados são do SmartLab Trabalho Escravo, plataforma desenvolvida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e pela OIT Brasil (Organização Internacional do Trabalho), em parceria com órgãos do governo federal. O levantamento cruza informações do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e da Polícia Federal sobre migração e resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Atrás de Corumbá aparecem Epitaciolândia (AC), com 14,6%; Pacaraima (RR), com 12,1%; e Foz do Iguaçu (PR), com 9,47%. Os dados revelam como a posição geográfica de Mato Grosso do Sul, marcada por extensas áreas de fronteira internacional, transformou cidades do Estado em rotas de entrada de migrantes vulneráveis, muitos deles atraídos por promessas de emprego no agronegócio e em atividades rurais.

Entre 2003 e 2022, Mato Grosso do Sul registrou 3.215 trabalhadores resgatados em situação de trabalho escravo. O município com maior número de resgates foi Brasilândia, com 1.011 casos no período. Em seguida aparecem Iguatemi, com 668 resgates, e Naviraí, com 413.

Em série histórica mais ampla, de 1995 a 2024, o Estado contabiliza 3.243 trabalhadores resgatados e 126 casos flagrados, o que coloca Mato Grosso do Sul como o sétimo estado com mais ocorrências de trabalho escravo no país.

Perfis - Dados tratados pela organização Repórter Brasil mostram ainda que, entre 2010 e 2024, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado brasileiro com maior número de trabalhadores migrantes resgatados em condições análogas à escravidão: foram 143 casos, atrás apenas de São Paulo, com 548.

Segundo o levantamento, todos os trabalhadores migrantes resgatados em Mato Grosso do Sul nesse período eram paraguaios e homens. A maior parte se declarou parda (61%) e atuava principalmente na pecuária (39%) e em lavouras (32%).

O perfil das vítimas também evidencia situações recorrentes de vulnerabilidade social. Entre 2003 e 2025, 47% dos trabalhadores resgatados no Estado eram indígenas, mais de um terço tinha até 24 anos e quase metade era analfabeta.

O trabalho no campo segue como principal foco de exploração no Estado. Conforme noticiado anteriormente, atividades ligadas à agropecuária concentram a maior parte dos casos de trabalho análogo à escravidão em Mato Grosso do Sul, especialmente envolvendo migrantes paraguaios e populações indígenas em situação de vulnerabilidade social.

Em todo o país, 65,5 mil pessoas foram resgatadas do trabalho escravo entre 1995 e 2024, segundo a série histórica do SmartLab.

Fonte: Campograndenews

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow