Documentário expõe estrutura clandestina da ditadura militar no Brasil
Um documentário baseado em documentos inéditos do arquivo do coronel Cyro Guedes Etchegoyen revela detalhes sobre a estrutura clandestina de repressão da ditadura militar no Brasil
Um documentário intitulado Bandidos de Farda, baseado em documentos inéditos do arquivo do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, um dos principais nomes da inteligência do Exército durante a ditadura militar, revela novos detalhes sobre o funcionamento da estrutura clandestina de repressão no Brasil.
A investigação reúne relatórios secretos, manuais de interrogatório e tortura, registros de monitoramento político e documentos que apontam a existência de uma política sistemática de perseguição, desaparecimentos forçados e violência de Estado durante o regime militar.
Entre os materiais revelados estão documentos sobre cursos de interrogatório e tortura realizados por oficiais brasileiros no exterior, relatórios de espionagem política produzidos nos anos 1980 e registros de vítimas ainda desconhecidas oficialmente pelo Estado brasileiro.
Um dos pontos centrais da investigação envolve a atuação do coronel Cyro Etchegoyen, chefe da contrainformação do Centro de Informações do Exército (CIE), entre 1969 e 1974. Segundo pesquisadores da ditadura militar, ele integrou a estrutura responsável pela profissionalização dos métodos repressivos utilizados pelos órgãos de inteligência.
O documentário mostra como parte dessa estrutura era composta não apenas por militares fardados, mas também por agentes clandestinos. A investigação conduzida pela jornalista Juliana Dal Piva já teve repercussão internacional, com o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição pedindo a reabertura de investigações sobre crimes cometidos por militares brasileiros.
O título do filme, segundo Juliana Dal Piva, nasce justamente dessa constatação. "Os documentos mostram que havia uma estrutura organizada para cometer crimes de Estado. Não estamos falando apenas de militares cumprindo ordens burocráticas. Existia uma máquina preparada para sequestrar, torturar, matar e desaparecer com corpos. E, muitas vezes, essas operações contavam com homens treinados especificamente para agir como assassinos clandestinos", afirmou a jornalista em entrevista à Agência Brasil.
Fonte: Douradosnews
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