Indígenas da Buriti Pedem Acordo e Indenização para Fazendeiros no STF
Cerca de 300 indígenas terenas concordaram em suspender a retomada de duas fazendas em Sidrolândia em troca de um acordo com fazendeiros.
Uma reunião realizada em Sidrolândia entre representantes do Ministério dos Povos Indígenas, Funai e cerca de 300 indígenas terena resultou em acordo para evitar avanço sobre duas fazendas disputadas. Foram prometidos um efetivo da Força Nacional na região e a entrega de um documento ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A proposta levada ao STF será de desapropriação das fazendas São Sebastião e Água Clara e a indenização dos atuais proprietários com verbas federais. Ambas fazem parte de uma área ocupada por antepassados dos indígenas que foram retirados à força do local, segundo consta num laudo antropológico anexo ao processo de demarcação.
O pedido de reconhecimento do território tradicional corre na Justiça há mais de 10 anos. A ideia é negociar o pagamento aos fazendeiros, assim como foi feito em relação à Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, que fica em Antônio João.
Ainda segundo a assessoria de imprensa da Funai, os indígenas não definiram um prazo para resposta ao documento, mas disseram que vão permanecer na divisa entre a fazenda São Sebastião e a área de retomada da Terra Indígena Buriti, onde estão presentes desde 2013.
Naquele ano, houve um conflito que resultou na morte do indígena Oziel Gabriel na região, após um tiro disparado por um policial federal. Advogado do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Anderson Santos também esteve na reunião a pedido dos terena.
Anderson afirma também que, por enquanto, não há nenhum agente da Força Nacional monitorando a região. No entanto, há cinco viaturas da Polícia Militar e seguranças privados contratados pelos fazendeiros.
Os indígenas disseram que vão continuar mobilizados para retomar seu território. Tem segurança privada e um contingente da Polícia Militar no entorno. O MPI vai tentar mediar essa situação com a Força Nacional, mas até o momento não há nada concreto.
Fonte: Campograndenews
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