Investigação de Queda de Avião em Campo Grande Sem Caixa-Preta
A queda de um avião bimotor em Campo Grande está sendo investigada pelo Cenipa, que busca reconstituir o acidente por meio de dados de clima e destroços.
A queda de um avião bimotor ocorrida na última sexta-feira (3) em área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, está sendo investigada pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O acidente deixou duas mortes: o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff.
A aeronave não tinha caixa-preta, o que não configura irregularidade, pois em aeronaves menores essa ausência é comum. Sem esses dispositivos, a apuração se apoia na análise dos destroços, registros de manutenção, dados meteorológicos, GPS e depoimentos de testemunhas e controladores de tráfego aéreo.
O trabalho do Cenipa segue protocolo técnico dividido em fases e começa ainda no local do acidente. As equipes realizam o registro completo da área com fotos, vídeos, medições e mapeamento da posição dos destroços. Peças críticas, como motores, hélices e instrumentos, podem ser recolhidas para análise em laboratório ou armazenadas até o fim dos exames.
Segundo o delegado Sam Suzumura, da Polícia Civil, uma das hipóteses iniciais é de que o mau tempo possa ter contribuído para o acidente, mas a conclusão depende da análise técnica da aeronave. Ele também citou a possibilidade de que o nevoeiro tenha dificultado a orientação do piloto logo após a decolagem, mas reforçou que a avaliação ainda é preliminar.
As investigações do Cenipa ocorrem de forma paralela às apurações policiais, podendo haver troca de informações, mas com objetivos distintos. Enquanto a polícia busca eventuais responsabilidades, o Cenipa atua na prevenção. O resultado é o Relatório Final de Investigação, que apresenta os fatores que contribuíram para o acidente e traz recomendações de segurança, sem identificação das pessoas envolvidas.
Mesmo sem caixa-preta, o Cenipa cruza dados técnicos, operacionais e humanos para reconstituir o voo. As investigações não têm prazo fixo e geralmente levam de um a dois anos para serem concluídas. Após o término da investigação, os destroços das aeronaves são devolvidos aos proprietários.
Fonte: Campograndenews
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