Projeto prevê novo atacadista de 10,7 mil m² na Avenida Ministro João Arinos
Campo Grande pode ganhar uma nova unidade do Atacadão na Avenida Ministro João Arinos, no Bairro Tiradentes, com 10.777,79 m² de área construída
Campo Grande pode ganhar uma nova unidade do Atacadão na Avenida Ministro João Arinos, no Bairro Tiradentes. O projeto, identificado como Atacadão CG5, prevê uma loja de atacarejo em terreno de 23.160,47 m², com 10.777,79 m² de área construída.
O empreendimento aparece no EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) apresentado para análise do município. A loja terá 5.059,38 m² de área de vendas, frente de caixa, depósito, câmaras frias, administração, docas, casa de máquinas, padaria, açougue, estacionamento coberto e estrutura para carga e descarga.
A previsão apresentada no estudo é de que a obra seja concluída em dezembro de 2026. O estudo diz que o Atacadão já possui três lojas em Campo Grande e que a nova unidade seria voltada a consumidores que buscam preços de atacado, incluindo pequenos comerciantes e famílias que fazem a chamada “compra do mês”.
O texto trata o modelo como “atacarejo”, mistura de atacado e varejo. A promessa é de geração de emprego e movimento econômico na região. O EIV estima 150 funcionários na operação da loja.
Mas o ponto mais sensível está no trânsito. O próprio estudo admite que, por ser comércio atacadista, haverá impacto no sistema viário. A estimativa é de 1.252 viagens por dia, somando deslocamentos de consumidores, funcionários e uso das vagas de estacionamento.
A entrada principal de veículos está prevista pela Avenida Ministro João Arinos, mas o documento aponta aumento de fluxo na Rua Soldado PM Reinaldo de Andrade. A avaliação técnica diz que a Avenida Ministro João Arinos teria capacidade para receber a demanda.
Já na Rua Soldado PM Reinaldo de Andrade, o cenário é bem menos tranquilo: o estudo prevê que a via pode operar “a plena carga”, com fluxo instável, filas em horário de pico e trânsito lento. Outro detalhe importante é ambiental.
O terreno fica dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) do Lageado, na Bacia Hidrográfica do Lageado. O próprio estudo lembra que a APA do Lageado é o segundo maior sistema produtor de água de Campo Grande, responsável por 12% do abastecimento da cidade.
A drenagem também aparece como ponto de atenção. O documento informa que há bocas de lobo assoreadas e distribuição irregular da rede em alguns trechos da área de influência. Como medida, o projeto prevê um sistema próprio de amortecimento de águas pluviais com capacidade de 1.080 m³.
Na parte urbanística, há um ponto que merece checagem antes da aprovação final: a tabela do estudo informa taxa de permeabilidade exigida de 25%, mas aponta 21,33% como oferecida pelo projeto.
Em português simples, a área livre para absorver água da chuva aparece menor que o percentual exigido na própria tabela do EIV. O projeto também prevê 248 vagas de estacionamento, das quais 68 cobertas, além de vagas para pessoas com deficiência, idosos, motos, bicicletas e carga e descarga.
Em outro trecho, porém, o documento usa números diferentes ao calcular viagens, citando 284 vagas e, na tabela, 238 vagas. É uma inconsistência que precisa ser esclarecida pelo empreendedor ou pela análise técnica da prefeitura.
O empreendedor formal do projeto é a May Empreendimentos Imobiliários Ltda., representada por Ricardo Jorge Carneiro da Cunha. O estudo técnico é assinado pela arquiteta e urbanista Vera Lúcia Giraldelli Peri.
A audiência pública para discutir o projeto será realizada no dia 13 de agosto de 2026, uma quinta-feira, às 18h, na Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), localizada na Avenida Calógeras, 356, com entrada pela Rua Dr. Mário Corrêa, no Bairro Glória.
O encontro também terá transmissão simultânea pelo canal da Educação Ambiental da Planurb no YouTube.
Fonte: Campograndenews
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