Rap Indígena e Rezas Guarani Conquistam o Mundo com Lançamento Internacional
O álbum 'Shamans in Space' une rezadores Guarani e Kaiowá com artistas de música eletrônica e rap indígena, criando uma ponte entre mundos e espiritualidades
O som tem o poder de transcender fronteiras e conectar mundos. Para os povos Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, o som é uma tecnologia ancestral, uma reza, um conhecimento vivo. É a partir dessa compreensão que nasce o projeto 'Shamans in Space', que reúne rezadores e rezadoras, guardiões de cantos sagrados, com artistas da música eletrônica mundial e o rap indígena contemporâneo.
O álbum 'Shamans in Space' foi lançado em vinil e marca a chegada de uma obra que atravessa territórios, espiritualidades e linguagens em cerca de 5 mil lojas ao redor do mundo. A partir do dia 1º de maio, o trabalho também estará disponível nas plataformas digitais, ampliando ainda mais o alcance de um projeto que nasce nos cantos sagrados dos povos Guarani e Kaiowá e ecoa para o mundo.
No centro desse processo estão as lideranças espirituais Guarani e Kaiowá, que definem os limites, orientam os caminhos e preservam a integridade dos cantos. O cuidado com a preservação dos cantos sagrados em sua forma original é fundamental, e o projeto se constrói entre duas dimensões: a experimentação sonora e o diálogo com a música eletrônica, e a preservação dos cantos sagrados em sua forma pura.
O resultado é um álbum que não busca fusão, mas relação. Um diálogo entre mundos que preserva as diferenças e cria um espaço comum onde o som se torna ponte. Com a participação de artistas como Kelvin Mbaretê, Martin 'Youth' Glover, Tymon Dogg e Matt Black, o álbum 'Shamans in Space' é um gesto político e espiritual que busca reconectar as pessoas com a natureza, com a cultura e com elas mesmas.
O projeto também propõe uma mudança profunda na forma de produzir conhecimento, questionando a divisão entre arte e ciência e mostrando que a música pode ser uma forma de conhecimento. Com o conceito de Mba'ekuaa, o álbum destaca que cada cultura carrega suas próprias tecnologias e que o som pode ser uma ferramenta de conexão entre mundos.
Em um tempo marcado por rupturas, distâncias e desconexões, o álbum 'Shamans in Space' propõe outra escuta: aquela que não separa arte e vida, som e espírito, passado e futuro. Uma escuta que lembra que há conhecimentos que não estão nos livros, mas no canto — e que, quando compartilhados com respeito, podem redesenhar o mundo.
Fonte: Douradosnews
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