Com bolor, ferrugem e sujeira, MP apura descumprimento de normas sanitárias em cozinha da PED

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul expediu uma recomendação à diretoria da PED e à empresa contratada para fornecer alimentos aos presos após constatar irregularidades na cozinha da unidade

Abr 23, 2026 - 12:36
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Com bolor, ferrugem e sujeira, MP apura descumprimento de normas sanitárias em cozinha da PED
PED é o presídio com maior número de detentos no Estado - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News

Depois de uma inspeção sanitária que constatou uma série de irregularidades na cozinha da PED (Penitenciária Estadual de Dourados), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) expediu uma recomendação à diretoria da unidade e à empresa contratada para fornecer alimentos aos presos.

A medida foi adotada dentro dos autos de um Inquérito Civil, aberto para apurar denúncias anônimas protocoladas na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos de que haveria irregularidades na execução do contrato e, como consequência, a comida estaria sendo servida 'azeda', ou seja, imprópria para o consumo humano.

Diante das suspeitas, a 8ª Promotoria de Justiça de Dourados fez uma vistoria à unidade acompanhada de técnicos do Núcleo de Vigilância Sanitária Municipal, que resultou em documentos relatando o que foi constatado.

O relatório apontou que os procedimentos adotados para garantir higiene não seguem os padrões e boas práticas regulamentados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os problemas vão do armazenamento ao preparo e transporte dos alimentos e, portanto, foram alvos de uma notificação à PED pela vigilância municipal.

Foi encontrada presença de sujeira intensa, principalmente de gordura, incluindo em uma coifa inoperante. Foram achados ainda utensílios corroídos por ferrugem, rachaduras e massa com bolor; tábuas com ranhuras; falta de protocolo de secagem e armazenagem.

Também foi identificado que a comida era fracionada em local inadequado, sem área definida, com manipulação irregular e mantida sem controle de tempo e temperatura ou identificação de data de validade, por exemplo. A geladeira estava com limpeza inadequada e o transporte dos alimentos feito em caixas plásticas sujas e a comida servida em um buffet térmico em más condições e com odor.

A cozinha ainda tinha pragas, insetos e falhas estruturais. As portas e janelas estavam sem telas milimétricas e sem vedação adequada; o depósito com paredes danificadas, sujas e com acúmulo de água, o forro com aberturas e danificações, sem contar a falta de um sistema de exaustão e/ou ventilação adequado.

A estrutura também estava sem lavatórios adequados para higienização das mãos de quem manipula alimentos; os uniformes dos colaboradores sendo lavados dentro das celas; e sanitários sem sabonete líquido, papel toalha e papel higiênico.

Também não há certificado de vistoria do veículo de transporte; de treinamento dos funcionários sobre higiene, manipulação e doenças transmitidas por alimentos; além de falta de registros limpeza de caixas e reservatório de água, filtros e manutenção periódica dos equipamentos.

Há ainda ausência de projeto aprovado da nova cozinha junto à Vigilância Sanitária.

Fonte: Douradosnews

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