Foliões precisam redobrar atenção contra crimes virtuais durante a festa

Especialista em Direito Digital alerta sobre invasões de contas, fotos manipuladas e golpes em aplicativos de relacionamento. Cuidados simples podem evitar prejuízos graves.

Fev 16, 2026 - 23:51
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Foliões precisam redobrar atenção contra crimes virtuais durante a festa
Crédito: Pexels

O período de Carnaval exige atenção redobrada não apenas com a segurança física, mas também com a proteção digital. Imagens capturadas durante a folia sem autorização podem gerar consequências sérias, incluindo exposição indevida e até crimes virtuais.

A advogada Maria Eduarda Amaral, especializada em Direito Digital e Propriedade Intelectual, alerta que qualquer conteúdo publicado na internet está sujeito a manipulações e utilizações criminosas. A vulnerabilidade aumenta durante festividades quando as pessoas estão mais desatentas.

Entre as precauções básicas recomendadas estão aceitar apenas pessoas conhecidas nas redes sociais, evitar exposição excessiva, não publicar conteúdos em tempo real enquanto ainda estiver no local e ter cuidado especial com símbolos que possam identificar localizações.

A especialista observa um padrão perigoso: pessoas que saem do trabalho ou faculdade e publicam fotos com elementos identificáveis, facilitando o trabalho de criminosos que monitoram esses movimentos para escolher o momento ideal de agir.

Durante o último Carnaval, as principais intercorrências registradas foram invasões de redes sociais. No desespero, muitas pessoas conectam em redes wi-fi públicas duvidosas ou acessam links suspeitos, passam códigos por telefone e acabam tendo contas invadidas, gerando golpes financeiros.

Outro problema grave são os deepnudes, fotos falsas geradas por inteligência artificial que deixam pessoas nuas. Durante o Carnaval, com fantasias e adereços, fica mais fácil para a IA criar conteúdo sexual falso a partir dessas imagens.

Os aplicativos de relacionamento como Tinder e Happn também se tornam ferramentas para golpistas. Fotos de pessoas reais são manipuladas por IA para criar perfis falsos, levando vítimas a encontros em locais inseguros onde podem sofrer roubos, furtos ou sequestros.

Maria Eduarda recomenda extremo cuidado ao fazer videochamadas através desses aplicativos. Essas chamadas podem ser utilizadas para acessar contas bancárias, fazer empréstimos ou solicitar cartões de crédito em nome da vítima.

Para minimizar riscos, o ideal é coletar o máximo de informações sobre a pessoa antes de marcar encontros. Verificar redes sociais, pesquisar o nome em sites jurídicos, confirmar se as informações coincidem e sempre exigir encontros em locais públicos e seguros.

Os prints ou capturas de tela são as principais provas digitais válidas para processos judiciais ou investigações policiais. É fundamental guardar todas as conversas, fotos de perfil, números de telefone e qualquer informação que possa identificar o golpista.

A advogada esclarece que as plataformas podem ser responsabilizadas civil e criminalmente nesses casos. Se não conseguirem identificar o usuário criminoso, a responsabilidade recai integralmente sobre elas.

No caso de deepfakes, há responsabilização criminal de quem gerou o conteúdo e também da plataforma que permitiu sua circulação. As vítimas podem buscar indenizações por danos morais e à imagem.

A especialista reforça que não existe vergonha em ser vítima de crimes digitais e encoraja denúncias. Todos estão sujeitos a cair em golpes, especialmente com as tecnologias cada vez mais sofisticadas.

Pessoas que estão curtindo o Carnaval fora da cidade onde moram devem ter cuidados ainda maiores, pois ficam mais vulneráveis e distantes de suas redes de apoio habituais.

Fonte: Dourados Agora

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