Gaeco Desvenda Rastro de R$ 27 Milhões em Pix e Saques de Prefeituras
Investigação do Gaeco revela esquema de distribuição de dinheiro entre envolvidos após pagamentos de prefeituras à Editora Avante
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu que dinheiro movimentado por um esquema de venda de obras paradidáticas a municípios de Mato Grosso do Sul começava a circular entre envolvidos no esquema assim que as prefeituras pagavam à Editora Avante pelos contratos de fornecimento de livros.
A empresa seria fachada para antigos donos da Gráfica Alvorada, propriedade da família Jafar, mas oficialmente em nome de outra envolvida, Rhayane Souza Fanaia. A investigação do Gaeco aponta que dinheiro pago por municípios de Mato Grosso do Sul à Editora Avante, por contratos de livros paradidáticos, era rapidamente distribuído entre investigados e sacado em espécie.
Entre fevereiro e dezembro de 2022, foram identificados 23 saques que somaram R$ 1,06 milhão. O esquema envolve a família Jafar, o advogado Gabriel Taquino e o publicitário Heyder Bartz. A partir daí, segundo o Gaeco, os valores deixavam rapidamente a conta da empresa e eram distribuídos entre pessoas investigadas, empresas ligadas ao grupo e também retirados em espécie.
Para o Ministério Público, esse movimento ajuda a explicar como recursos públicos teriam sido pulverizados logo após os pagamentos municipais. Um dos exemplos mais claros ocorreu em 2 de agosto de 2022, quando a Prefeitura de Miranda transferiu R$ 1,044 milhão para a Editora Avante. Naquele dia, Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, recebeu R$ 52 mil da empresa e, depois, repassou R$ 50 mil ao pai por Pix.
A retirada de dinheiro vivo é uma das partes mais sensíveis da investigação. No primeiro período analisado, entre fevereiro e dezembro de 2022, o Gaeco identificou 23 saques que somaram R$ 1,066 milhão em 10 meses, quase todos realizados por Rhayane. Para os investigadores, esse mecanismo teria servido para dificultar o rastreamento dos valores e, em alguns casos, viabilizar pagamentos ilícitos a agentes públicos.
Fonte: Campograndenews
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