Violência Contra Idosos em MS: Um Problema em Aumento
A violência contra idosos em Mato Grosso do Sul está aumentando e muitos casos permanecem ocultos, de acordo com um estudo recente.
Em Mato Grosso do Sul, a violência contra a população idosa está aumentando silenciosamente. Embora o Estado tenha registrado 4.252 denúncias de violência contra idosos, que resultaram em 542 prisões em ações de enfrentamento, especialistas alertam que esses números ainda representam apenas uma fração da realidade, já que muitos casos permanecem ocultos dentro das próprias famílias.
Os dados fazem parte do estudo “Diagnóstico da Violência no MS: Dados, Invisibilidade e Necessidades Intersetoriais”, desenvolvido pelo Ambulatório de GerontoGeriatria e Cuidados Paliativos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O estudo revela que as formas mais frequentes de agressão contra idosos são justamente aquelas que muitas vezes não deixam marcas físicas, como negligência, violência psicológica, abuso financeiro, violência física e violência institucional.
As mulheres representam 67% das vítimas registradas, e a maior incidência ocorre entre pessoas de 76 a 80 anos. Além disso, idosos acima de 80 anos apresentam maior vulnerabilidade devido ao aumento da dependência física e da necessidade de cuidados. A baixa escolaridade também aparece como fator de risco, com cerca de 67% das vítimas possuindo pouca instrução.
Durante o seminário que marcou o encerramento oficial da campanha “Junho Prata”, gestores e especialistas defenderam que o enfrentamento da violência contra idosos seja o resultado de uma atuação integrada entre segurança pública, saúde, assistência social, Ministério Público e Poder Judiciário. A secretária-executiva de Assistência Social, Taciana Afonso Silvestrini, alertou para a redução dos recursos destinados às políticas públicas voltadas ao envelhecimento e defendeu a aprovação da PEC/7, que prevê a destinação de 1% da Receita Corrente Líquida para o financiamento da assistência social.
O Estado pretende implantar Centros-Dia para idosos, unidades que oferecerão atendimento durante o dia e permitirão que o idoso retorne para sua residência no período noturno. A proposta é atender pessoas que precisam de cuidados, mas ainda possuem vínculo familiar, oferecendo suporte às famílias e evitando institucionalizações desnecessárias.
Outro tema debatido durante o seminário foi o aumento de idosos abandonados em hospitais após receberem alta médica. Muitas famílias relatam não possuir condições financeiras ou estrutura adequada para assumir os cuidados necessários. O Ministério Público tem cobrado dos municípios a implantação das chamadas casas de apoio, previstas na legislação, para acolher temporariamente idosos sem retaguarda familiar, evitando que permaneçam internados apenas por falta de assistência.
A subsecretária de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu, destacou as ações realizadas durante o Junho Prata, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa. Segundo ela, 60 municípios desenvolveram ações contra o idadismo, termo utilizado para definir o preconceito e a discriminação motivados pela idade.
Fonte: Douradosnews
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